quarta-feira, 14 de maio de 2014

Tudo (na verdade, só um pouquinho!) o que você sempre quis saber sobre Vinyasa Flow Yoga mas tinha medo de perguntar


Iniciei minha prática de Yoga pelas mãos do Hatha Yoga. O Hatha está para o Yoga assim como o ballet clássico está para a dança. É a base, a estrutura, que deu origem a todas as outras vertentes e estilos de Yoga. Eu amo Hatha, a minha primeira formação em Yoga foi em Hatha, mas confesso que depois de uns 2 anos de prática me apaixonei pelo Vinyasa Flow.
O que gosto no Vinyasa é que temos música, diferentemente da aula de Hatha, que é feita em silêncio ou, no máximo, ao som de um tambura (em geral, eletrônico que é mais prático, né???). Tá, os puristas vão me crucificar dizendo isso e aquilo. Mas era assim que EU conhecia a prática de Yoga.
(para continuar a ler clique aqui)

quarta-feira, 7 de maio de 2014

É pra tirar a pontinha?


Tanto tempo sem escrever por aqui... Uma infinidade de motivos explicam a razão: falta de tempo, falta de inspiração, preocupação com fatos mais importantes... Mas esses dias, realizando uma atividade bem da prosaica (fazendo as unhas), lembrei de um fato que me deu vontade de compartilhar...

Estava eu, lá em idos de 2009, realizando a minha primeira formação em Yoga. Domingos eram nossos dias de folga. O dia em que podíamos fazer o que desse na telha, sem hora para acordar, sem atividades para realizar. E era também o dia em que a mulherada pintava o cabelo, fazia as pazes com a depilação, fazia as unhas.

No último domingo livre que tínhamos antes do final do curso, resolvemos ir à cidade (o local de nossa formação ficava um pouco afastado do burburinho). Bate perna daqui, bate perna dali e Didi, uma de minhas vizinhas de quarto que se tornou irmã de coração, resolve que quer comprar um esmalte azul, numa época em que ninguém em sã consciência com mais de 12 anos usava as unhas pintadas de azul.

Voltamos e me aboletei no quarto dela e da Juju, a outra maluca-beleza-que-se-tornou-amiga. Didi me estende o esmalte cor de Bic e me pede pra pintar suas unhas. Começo a pintar e disparo a pergunta: “É para tirar a pontinha?” Didi arregala os seus olhos nipônicos (uma façanha!) e faz aquela cara de ponto de interrogação. Eu insisto: “Ô, japa, é para tirar a pontinha?” E finalmente ela me devolve: “Como assim?”

Olhei pra Didi e pra Juju e percebi que as duas me olhavam com cara de descrentes. As duas, paulistas, nunca tinham ouvido falar em “tirar a pontinha”, que a carioca aqui oferecia. Entendi que eu precisava explicar que tirar a pontinha nada mais era do que tirar o excesso de esmalte da ponta da unha. Didi começou a rir naquela risada gostosa dela, enquanto tentava, com dificuldade, dizer que achava que eu queria meter o alicate na ponta das unhas ou fazer alguma bizarrice qualquer.

Eu sei que a partir daí, acho que pela proximidade do final da formação, – que sim, é exaustivo, traz a tona muitas catarses, é puxado – começamos com uma crise de riso que atribuímos ao cheiro da tal acetona francesa que a Juju havia trazido de casa. Era uma crise de riso sem fim, daquele tipo que temos quando somos adolescentes no meio de uma aula de colégio. Para completar, o gato que as duas haviam sequestrado e levariam para São Paulo de avião (estávamos em Santa Catarina), parecia entender tudo o que se passava, pois miava junto com nossas risadas, interagindo e "dando opinião". Essa foi uma das vezes em que mais tive o abdome doendo de tanto rir. Só quem esteve presente no momento entende o sabor daquelas risadas depois de quase 30 dias de “sangue, suor e lágrimas”.

p.s.: Em tempo: em uma viagem a NY eu fui fazer as unhas com uma coreana. Ao final expliquei a ela que gostaria que ela tirasse as pontinhas do esmalte. Ela, que só falava o basicão do inglês, não entendeu patavinas do que eu queria fazer. Saquei então o palito com algodão da mão dela e comecei a limpar as pontas das unhas, para retirar a famigerada pontinha. A tal coreana ficou enlouquecida de ver alguém “destruindo” o trabalho dela bem na sua cara e não se fez de rogada: começou a da tapinhas na minha mão para que eu parasse com aquela palhaçada (na cabeça dela) imediatamente... É, esse treco de “tirar as pontinhas” é coisa de carioca mesmo...

Namastê!


*Foto daqui: http://nananassif.com/2013/07/05/como-tirar-a-pontinha-do-esmalte/

domingo, 24 de novembro de 2013

Iniciando um teste...

Iniciando um teste em 3, 2, 1!

p.s.: Depois eu volto para explicar melhor!

domingo, 14 de abril de 2013

Da falta de posicionamento (ou dos que ficam em cima do muro)

Acho curioso como algumas pessoas se recusam a tomar partido, a expressarem suas opiniões, a dizerem "ao que vieram". Resolvi escrever sobre isso depois que nas últimas semanas passei a colocar um ou outro post sobre homessexualismo. Tudo começou por causa desse zé ruela na comissão de direitos humanos - que nem vou dizer o nome para não colocar mais azeitona em sua empada. Desde que esse ser foi pra comissão, muito tem se falado entre gays x bíblia.

De um lado os gays querendo fazer valer seus direitos: direito a casamento, a registrarem seus filhos, entre outros. De outro lado, os evangélicos burros e tacanhos, que batem no peito que ser gay é "pecado e errado", porque assim consta na Bíblia. O que esquecem é que na Bíblia também se "defende" a escravidão, o preconceito racial, a misoginia, entre muitos e muitos outros.

Claro que a Bíblia não defende e nem ataca nada disso. Tudo é uma mera questão de inteligência, de saber fazer a leitura do que ali se encontra, levando-se em consideração os momentos históricos, o conteúdo, enfim, estudando (será que essas pessoas conhecem esse verbo?).

Entender o que consta na Bíblia vai muito além de ir a uma igreja e ouvir o padre, pastor, missionário ou o que quer que seja falando isso e aquilo. Para entendê-la você precisa sentar, ler, pesquisar, comparar até mesmo diferenças nas traduções (como tradutora que também sou sei que muitas vezes o texto original pode perder totalidade ou parte de seu significado por uma tradução mal feita).

Bem, e aí que desde que esse bafafá começou, comecei a colocar uns posts sobre o assunto - obviamente defendendo o lado dos gays. E comecei a perceber que os amigos que sempre curtem piadinhas, coisinhas frugais, simplesmente se calam diante desses posts. E por quê? Por uma razão simples e óbvia: não querem se posicionar. "Ah, mas se eu curtir o que ela escreveu, eu tenho um amigo que é crente e ele pode achar isso e aquilo de mim". Ou "Ah, não concordo com nada do que a Cacau escreveu, mas se eu disser qualquer coisa ela vai se chatear".

Pelo amor de Deus! Será que as pessoas ainda não entendem que a falta de posicionamento nada mais é do que uma atitude de covardia, de "querer ficar bem com todo mundo", de um comportamento infantilóide exatamente como a imagem que ilustra esse post? Eu sempre odiei essa coisa de "prefiro não me envolver". Pra mim, repito, isso é coisa de gente que tem medo de ser julgada, tem medo de defender o que acredita e os seus pontos de vista, tem medo de não ser aceita.

Daí alguns poderão dizer: "Ah, mas eu não sou gay e nem evangélico. Não preciso me meter nisso". Isso tão somente demonstra a falta de comprometimento com o desenvolvimento dos seres e do mundo. Não é porque eu não sou negra que eu não posso (e devo) me posicionar contra o preconceito racial ou a escravidão. Não é porque eu não seja idosa que eu não possa dizer o que penso sobre as leis que deveriam amparar e proteger os idosos. E assim por diante.

Muitos também poderão dizer: "Não me posicionei porque acho esse assunto chato". Mais uma vez fica claro o quanto as pessoas somente passam a se importar com um assunto - mesmo os assuntos "chatos"-  quando a água passa a bater na bunda delas. Egoísmo no talo.

E tem ainda aquelas pessoas preguiçozinhas para pensar. Piadinhas, ok. Frasezinhas idiotas de uma pseudo felicidade, ok também. Qualquer besteirinha falando da rotinha, super ok. Mas assunto que precise refletir, pensar, aí não. É demais pro Tico e Teco já tão desprovidos de QI... Né não?

Fica assim registrado meu desabafo contra todas as pessoas que ficam em cima do muro. Por causa de vocês, o mundo poderia ser um lugar muito melhor e mais desenvolvido. Prefiro mil vezes uma pessoa que defenda com unhas e dentes posicionamentos totalmente contrários aos meus do que aquelas que não se posicionam. Parafraseando Heloísa Helena, "Gosto de quente ou frio. Gente morna me dá enjôo". 

Em tempo: Sei que minhas palavras foram duras, pesadas e até radicais. Mas preferi expor como venho me sentindo a ficar calada, pois nunca fui de não dizer o que penso e/ou no quê acredito.


domingo, 24 de março de 2013

Do fim dos relacionamentos

Tão natural quanto saber que carro atropela, é também saber que relacionamentos terminam. Nem todos, é verdade... Alguns, lindos que só, duram não somente uma vida inteira, mas ultrapassam vidas, encarnações e vão assim pela eternidade. Mas a maioria, vamos combinar, a maioria acaba mesmo... e nessa vida aqui e agora!

Saber lidar com o fim de uma relação não é tarefa das mais simples. Nenhum relacionamento vem com bula, manual de instruções e nem com a data de validade estampada (mas que seria bom que viesse, seria!). 

Raras exceções, relacionamentos terminam com muita ou alguma dor - seja dos dois lados, seja de um lado só. Se termina, é porque o amor acabou, ou alguma traição foi revelada, ou descobriu-se que nunca houve amor... Em geral os motivos que levam uma relação ao fim sempre trazem um pouco de dor, ressentimento e às vezes (ou muitas vezes) até raiva. É natural, então, que os dois não queiram se ver por um tempo, que fiquem sem se falar. Aliás, tarefa essa das mais complexas, pois quebrar um hábito do dia pra noite é punk!

Mas, com o passar do tempo, as dores vão se diluindo, vão desaparecendo... Ressentimentos e mágoas vão dando lugar a boas lembranças, bons momentos. Até o dia em que os ex voltam a se falar. Seja por iniciativa de um dos dois envolvidos, seja por um encontro casual. E então existe a possibilidade de que possam começar uma amizade. Ou ao menos estarem presentes nas redes sociais um do outro. Tudo é possível quando o amor de verdade existiu e as pessoas reconhecem que este acabou.

Eu não consigo entender como um amor de uma hora para outra vira ódio, desdém, desprezo. Isso, como eu falei antes, é admissível naqueles meses que sucedem ao término. Mas você odiar para sempre aquela pessoa que você disse amar por tanto tempo??? Aquela com quem você dividiu dores, risos, filmes, pipocas, desabafos? Não, minha gente. Algo está errado.

De todos os relacionamentos que vivi, eu tenho um bom relacionamento com quase todos, à exceção de um único relacionamento. Com 99% eu tenho tamanha boa relação que só não viramos melhores amigos em respeito ao meu companheiro atual e vice-versa. Afinal, assim como eu não acharia nada agradável ver meu marido melhor amigo de uma ex, creio que ele também pensaria a mesma coisa. 

Mas eu fico me perguntando por que somente um relacionamento meu descambou pro ódio, gemido e ranger de dentes... Bem, coincidência ou não, o ser já trazia de outros relacionamentos o mesmo histórico de "terminei com você, logo lhe odeio e não quero mais olhar na sua cara". Ao passo que eu, sempre nutri amizade com quem passou pelo meu coração. Logo, o histórico de cada um, por si só, já explica a situação...

Às pessoas que sabem o verdadeiro significado da palavra amor, seja de casal,  de ex, de amigo, de irmão, o meu verdadeiro e sincero "namastê"!

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Das diferenças entre homens e mulheres

Confesso que tive uma criação machista. Tenho um irmão, mais velho e, por muitas vezes, lembro que a mim cabia ajudar minha mãezinha querida nas tarefas do lar enquanto ele era liberado para somente por o lixo pra fora. Ajudar a colocar e tirar a mesa, lavar a louça e outros afazeres, eram minha responsabilidade. O machismo se estendia para outras coisas também, como por exemplo, meu irmão ser liberado para pegar o carro do meu pai mesmo sem carteira de motorista enquanto eu, devidamente encarteirada, não podia pegar o carro nem pra ir na esquina. 

Cresci com a ideia de que a mulher deveria ficar em casa e cuidar da prole enquanto ao marido cabia o papel de ser o provedor, de pagar as contas e "botar comida dentro de casa". Meus pais viviam neste esquema, assim como todas as amigas de minha mãe e ainda nossos vizinhos. A igreja a qual eu havia me convertido quando mais jovem também era extremamente machista e cheguei até a ter uma briga com meu namorado da época - também frequentador da igreja - que queria que eu parasse de trabalhar se um dia viéssemos a nos casar.

Graças a Deus eu consegui pensar por mim mesma, independentemente dos modelos que tivesse dentro do meu próprio lar, do que visse ao meu redor, nos círculos que eu frequentava. Quis fazer faculdade, quis continuar trabalhando - trabalho desde que completei 18 anos de idade. E assim fui criando minha própria independência, sem esperar que nenhum homem pagasse as minhas contas.

Porém, devo admitir que existem sim ideias arraigadas dentro de mim sobre a distinção de "papeis femininos x papeis masculinos". Elas existem pela criação que recebi além da clara distinção física que vejo que existe entre homens e mulheres. Por exemplo, acho sim que os homens dirigem melhor pois possuem melhor visão espacial que nós, mulheres. Acho bacana quando eles andam ao nosso lado nos protegendo, por uma questão que em geral são maiores que nós e têm (ou deveriam ter) esse sentido de proteção. Creio sim que ao homem cabe pegar os embrulhos mais pesados posto que na maioria dos casos os homens possuem um físico mais forte do que as mulheres. Enfim, existem mil exemplos que poderia dar aqui.

Por quê todo esse blah blah blah? Explico: comprei um ar condicionado e ele precisava ser levado para o andar de cima da casa. O bichinho era pesado e então o marido começou a subir com ele com a ajuda de uma conhecida nossa, do sexo feminino, que prontamente se colocou à frente para ajudá-lo. Me espantei com a força física que ela demonstrou ter e, ao externar minha surpresa, escuto dela que "essa coisa de mulher ser sexo frágil, de ter menos força que o homem, é desculpa de mulher preguiçosa". Hein??? Hein de novo?

Não vou nem entrar no mérito de que, além de eu não me sentir apta a carregar um troço daquele peso, tenho ainda 2 cirurgias nos joelhos que me impedem muitos tipos de esforços. Não entrarei nesse quesito. Mas fico aqui me perguntando o que leva uma pessoa a pensar isso e externar publicamente essa ideia, claramente me chamando de... preguiçosa!!! Ora bolas, vamos lá. Continuo achando que sim, existem diferenças físicas entre homens e mulheres. Porém, isso não quer dizer que todos os homens sejam fortes e todas as mulheres sejam frágeis. Conheço homens que são mais delicados que uma avenca e não conseguiriam sequer desatarrachar um parafuso. Assim como conheço mulheres como esta em questão, ou como era a minha mãe, por exemplo, que são fortes, aguentam peso, aguentam empurrar móveis, e por aí afora.

Definitivamente não é o meu caso e nem o caso da maioria das mulheres com as quais me relaciono. Talvez se eu tivesse sido criada na roça, como foi minha mãe, pegando pesado, fazendo serviço "de homem", eu tivesse desenvolvido essa força que aparentemente não tenho. Mas, felizmente, tive melhores condições que minha mãe e, aparentemente, a pessoa que indiretamente (?) me chamou de preguiçosa. Em vez de estar na lavoura, eu estava nos bancos de faculdade, estudando, adquirindo educação chamada "formal", tendo a chance de me tornar um ser intelectualmente desenvolvido. É como se esse esforço estive para mim como pedir a minha falecida mãezinha que me explicasse a diferença entre os movimentos Barroco e Rococó. 

Acho muito difícil que se formem pessoas que tenham tanto o intelecto quanto o físico desenvolvidos de forma equilibrada. Podem até existir, mas confesso que no meu círculo, não conheço ninguém. Ou se é bom para um lado ou para o outro. Acho que até existem algumas pessoas que conseguem dar uma mesclada nisso tudo, mas são pinceladas sutis, leves. Eu mesma, por exemplo, sou capaz de algumas coisas que a maioria das mulheres "intelectualizadas", que tiveram acesso a estudos, não seriam capazes de fazer por falta de aptidão física ou mesmo de uma coragem mais "de homem". Sou capaz de emassar, lixar e pintar um apartamento inteiro sozinha, de trocar um pneu de um carro (aliás tem tempo que não o faço; será que ainda sei como é?), de pegar a estrada Rio-SP-Rio completamente sozinha quantas vezes forem preciso, de ser arrimo de família e provedora e mais diversos exemplos.

Existem amigas minhas que não sabem sequer lavar seu próprio carro e isso definitivamente não faz delas "mulherzinhas" ou "preguiçosas", como mencionou a parente. São pessoas que têm mais talento para atividades intelectuais do que para atividades que exigem um pouco mais de "bruteza". É como se fossem atenienses, e como atenienses que são, não podem ter a truculência de um espartano.

No fundo, talvez o que tenha me incomodado no famigerado comentário da parente tenha sido a falta de respeito às diferenças, à uma categorização rasa sobre quem não consegue fazer determinado esforço físico, com um tremendo julgamento de valor. Por essas coisas que os seres humanos ainda ficam na briga de quem é melhor nisso ou naquilo, categorizando esses e aqueles, querendo invadir o quadrado alheio, desrespeitando totalmente as individualidades e as aptidões próprias de cada ser. Cada um no seu quadrado e esse plano em que vivemos seria um local muito mais legal de se estar.

Namastê!

domingo, 25 de novembro de 2012

Das pessoas fofoqueiras

Dia desses eu e uma de minhas amigas mais queridas estávamos especulando a respeito de uma terceira pessoa. Era fofoca mesmo! E fiquei me questionando sobre o quanto estávamos sendo legais ou não, do ponto de vista da moral. É, não era legal... Mas... Fofoca eu acho que todo mundo faz. Seja uma fofoquinha aqui ou ali, é algo que sempre acabamos escorregando e comentando algo de um terceiro com a melhor amiga, com o marido, com o amigo de trabalho. Mas existem pessoas que são fofoqueiras profissionais. Aquelas que sempre têm algo pra contar de alguém, para comentar de um terceiro e por aí afora.

Quando pensamos em fofoca pensamos logo em algum comentário maledicente acerca de alguém. Mas nem sempre fofoca é isso. No meu humilde ver, fofoca é qualquer coisa que se comente de alguém pelas costas. Em geral, comentários que fogem dos elogios. Uma coisa é você comentar com um amigo como um terceiro amigo está bonito ou está bem depois de alguma crise. Uma outra coisa é você comentar que esse amigo, por exemplo, operou uma hemorróida. Se você soube de uma cirurgia tão delicada e ainda assim comentou, mesmo que não tenha sido maledicente, fofoca é.

Tem pessoas que simplesmente não sabem guardar a língua onde ela pertence - dentro da boca. Elas se comprazem de contar a todos tudo o que você menciona com elas. Ora, se você conta pra um amigo algo íntimo, um segredo, ou mesmo um desabafo sobre algo que está lhe incomodando, é porque você confia naquele amigo e não para X ou Y porque talvez não confie em X ou Y, ou talvez porque não queira que X ou Y saibam daquilo naquela ocasião. 

E daí o amigo não se segura, não consegue manter a informação só pra ele e conta sim, para X e para Y e mais para quem for. Eu fico me perguntando a razão disso. Não sou psicóloga, mas posso perceber diversas razões. As pessoas fofoqueiras parecem sempre gostar de ser o centro das atenções, as pessoas que estão sempre por dentro de tudo. E falam da vida dos outros para outros para que talvez pensem que elas estão sempre com alguma novidade para contar, ou de como divertidas são (sim, porque existem os fofoqueiros que conseguem até fazer uma comediazinha em cima de alguma informação extra que tenha de alguém).

Seja qual for o motivo, ter um fofoqueiro por perto é muito chato! Em um dos meus empregos, havia uma pessoa que era extremamente querida por todos. E ela tinha sempre uns conselhos excelentes para nos dar e sempre uma opinião muito madura a respeito do que estivéssemos desabafando com ela (por vezes o desabafo era coletivo). Mas ela não conseguia ficar com a língua dentro da boca! Na primeira oportunidade já ia falando para alguém que não estava na roda do desabafo o problema de cada uma. Ela não parecia fazer isso por maldade, mas sim como se estivesse consultando mais uma pessoa sobre o problema. Acontece que falta simancol nessas horas. Nem tudo é preciso dizer que é segredo, que é para ficar ali entre as duas pessoas ou dentro daquele grupo. Faltava nela o que chamamos de bom senso. 

Talvez, instintivamente, ela quisesse se mostrar aos outros como aquela a quem recorrem quando um problema existe. Talvez ela quisesse, sem se dar conta, fazer com que mais pessoas começassem a lhe ver como aquela pedra falante que dava conselhos nas antigas tirinhas de Crock e os Legionários... Não sei ao certo as reais razões de se passar sempre alguma informação de uma pessoa adiante, mas sei que é muito chato!

Resumo: acabamos optando por não mais falar nada quando a fofoqueira estivesse por perto. Eu comecei a me dar conta de que o fato dela não segurar uma informação minha não valia o precioso conselho que ela poderia vir a me dar. E passei a me calar e não mais dividir nada com ela. Outras amigas também passaram a fazer o mesmo. E com isso, obviamente, a amizade acaba sofrendo um impacto, pois se antes você tinha confiança naquele amigo, a confiança se quebra.

O fofoqueiro é alguém que está fadado a não ter em volta de si ninguém que confie nele. Afinal, como uma vez uma amiga de faculdade me ensinou, "se alguém fala de todo mundo pra você, também falará de você pra todo mundo". Um sábio conselho...

quinta-feira, 29 de março de 2012

Deus me defenda da sua macumba!

Letra de música muito pertinente... E salve Rita Lee!


"Deus me proteja da sua inveja
Deus me defenda da sua macumba
Deus me salve da sua praga
Deus me ajude da sua raiva
Deus me imunize do seu veneno
Deus me poupe do seu fim."

domingo, 8 de janeiro de 2012

Sobre pais e filhos

É curioso como a visão da gente vai mudando ao longo dos anos. Hoje, mesmo sem filhos, fico observando a relação entre a criação que recebemos e os adultos que nos tornamos. Graças a Deus, recebi uma criação que me fez ser uma pessoa que tenho orgulho. Claro que tenho defeitos pra caramba, mas no geral, aprendi com os meus pais a ter a maior parte das qualidades que tenho, como solidariedade, não fazer aos outros aquilo que não quero que me façam, cortesia, gentileza e por aí afora.

Olho para algumas pessoas e percebo como uma criação equivocada pode estragar um futuro adulto. É uma pá de gente sem modos, sem saber o significado da palavra "dividir", pessoas que não podem ouvir não... Lembro que uma vez estava com uma amiga na casa de uma outra amiga e a convidada saiu abrindo os armários da cozinha e pegou um pacote de batatas fritas. Abriu e começou a comer, sem pedir permissão, sem perguntar se podia. Fiquei chocada. Nem na casa de meus pais eu seria capaz de pegar algo, abrir e sair comendo sem perguntar antes...

O que eu percebo é que muita mãe erra (e pai também!) na falta de limites para suas crianças. Impera a lei do menor esforço. Preferem fazer a vontade do pirralho a ter que dizer um não, a impor limites. Porque claro, isso irá gerar choro, reclamações e mais coisas que os pais nem sempre estão dispostos a aguentar. Mas eu penso que é preferível aguentar essas birras a criar uma pessoa uó que se transformará num adulto uó achando que todo o mundo está pronto para servi-lo, que o universo gira em torno de seu próprio umbigo.

Tenho uma tia que certa vez foi passar as férias com seus filhos lá em casa. Eu, mesmo sendo criança, fiquei chocada com as cenas que presenciei de meus primos: uns estapeando os outros, comendo besteiras e porcarias antes das refeições, enchendo os pratos e deixando-os pela metade, bagunceiros, sem oferecer ajuda para lavar um copo que fosse...

Hoje agradeço por cada bronca que tomei, cada castigo em que ficava sentadinha pensando nas besteiras que havia feito. Agradeço por meus pais terem me ensinado o valor de algumas palavras como "por favor", "obrigado" e "desculpa". Agradeço por cada "não" que recebi, cada limite que me deram. E tem mais: tenho a certeza que criança na verdade, adora um limite. O limite a faz perceber que existe um termômetro confiável em que pode contar, um porto seguro para onde pode correr e se consultar num momento de dúvida. Criança não gosta de pai e mãe que vai deixando correr solto não. Pode parecer bom, mas na verdade parece que não há nunca um orientador para aquele ser.

Sou contra essa coisa de pai e mãe não interferir. Certa vez, diante de um impasse, perguntei à pessoa: "E o que sua mãe acha disso?" e ouvi a resposta: "Minha mãe não interfere, para ela o que eu decidir, o que me fizer feliz, está bom". Como assim??? Um pai ou uma mãe tem mais anos de vida, portanto mais experiência, fora o sexto sentido de pai. Ninguém melhor para orientar, para poder ajudar a ver os lados bons e ruins da decisão X ou Y.

Sei lá, pode parecer presunção de minha parte dizer tudo isso, principalmente porque não tenho filhos ainda. Mas eu tiro essas conclusões baseadas na minha percepção, no que vejo ao meu redor. E acho graça quando vejo minha amiga Paula com tantas dúvidas e questões acerca da criação de seu filho. Ela fica desesperada quando briga com ele, quando perde a paciência. Isso é normal. E queria que ela tivesse a segurança que se ela continuar dessa forma, dizendo não quando necessário, impondo limites, criando com amor e ternura, o Miguel se tornará exatamente uma pessoa como ela, com qualidades que todo adulto admira em outro adulto.

Namastê!

domingo, 9 de outubro de 2011

Falsidade até na comida?

Eu não sei porque as pessoas resolvem modificar algo que é tradicional e vão criando versões do que já existe, criando comidas falsas. Explico: dia desses estava fazendo hora no supermercado esperando o namorado terminar uma aula. Olhei ao redor e vi centenas de panetones. A surpresa por perceber a proximidade do Natal foi grande. Mas maior ainda foi a surpresa ao me deparar com um "panetone sem frutas". Hein??? Como assim?

Perceba: o panetone não tinha chocolate ou qualquer outro recheio dentro. Era só o pão... do panetone! Sem frutas, sem nada. Gente, como alguém vai comprar um panetone sem coisa alguma dentro, ao "módico" valor de 11 reais e uns quebrados? Tá doido? Vai na padaria da esquina e compra um pão doce! Daí fiquei pensando nessas coisas, nessas invenciones do povo, nessas falsidades na comida...

Primeiro de tudo, bora colocar os pingos nos is. Panetone que não seja de frutas cristalizadas e passas, NÃO É PANETONE! Odeio essas palhaçadas de panetone de chocolate, panetone de nozes, e agora até panetone de goiabada! Ora, tudo isso pode ser um pão afrescalhado recheado de alguma coisa, mas panetone tradicional, para ser chamado de panetone, só aquele de frutinhas mesmo. "Ain, mas eu não gosto daquelas frutinhas", diria um ser chatonildo. Então não coma!!! Simples assim! Tolerância zero para essas coisas.

Daí esse final de semana publiquei uma receita na newsletter de onde trabalho que se intitulava "cream cheese de castanha de caju". Mas onde é que estava o queijo? Não, não leva. O nome faz referência somente à textura e o sabor azedinho, que lembra o de um cream cheese. Mas me incomoda isso. Por que não chamar de "pasta de castanha de caju"? Por que essas coisas "wannabe" da vida?

Isso me lembra aquelas receitas que apareceram nas épocas bicudas de planos econômicos doidos. Tipo "Falso Pudim de Leite Condensado", que claro, não leva leite condensado... Meu Deus... Eu é que não quero comer algo que já leva a fama de falso a partir do nome! Que chame então de "Pudim de leite de vaca", ou coisa do gênero.

Outro episódio: sábado estive no mercado (é, amamos um mercado! rs) com namorado e ele pegou um bolo de rolo, que ele ama. Chegamos em casa e ele me olhou meio desapontado dizendo: "O bolo de rolo é de doce de leite"... Hein? Doce de leite? E desde quando bolo de rolo é feito com doce de leite, meldelz??? Assim deveria se chamar "Bolo de TOLO". Fala sério... Bolo de rolo é de goiabada e ponto. Não me venham com invencionices. O bolinho até era gostoso; lembrva um bem-casado, mas deveriam chamar por outra coisa. Rocambole fininho de doce de leite, talvez.

Resumindo a ópera: não gosto de invenciones assim, onde mudam o original, tiram ingredientes, fazem referências aos nomes de origem sem ter aquele ingrediente principal e assim por diante. Ou seja, comida falsa! Sou tradicionalista mesmo. Acho que alimento tem que ser igual a caráter: ou tem ou não tem! Simples assim.

Namastê!